Bati a porta com dois toques leves e entrei. Ali estava, disposta a colocar uma pedra sobre tudo e tratar como amigo o homem que mais desejei na vida. Lá estava ele, alto, forte, bonito, sensual e tão, tão distante de mim; impossível tê-lo, pensei ao olhá-lo outra vez, após dois anos de distanciamento e após ele ter dito que não  podia me ter pois estava apaixonado por outra. Relembrando, sei que fiquei parada, escutando-o despejar duras palavras. Não Posso e, sentido as lagrimas rolarem face abaixo, nada falei, virei-me e fui embora; achava que era pra sempre. Não podia e nem gostaria de curtir uma paixão sem retorno.

Bem, voltei agora como amiga pedindo-lhe um favor profissional e urgente e que o mesmo prontificou-se gentilmente em me atender. Adentro a sala e digo olá. Ele está assinando uns documentos; levanta a cabeça, sorri e me indica com a mão para que sente na cadeira em frente à dele. De imediato, chama a secretária pelo interfone e pede para que o meu trabalho seja providenciado rapidamente; enquanto isso, conversamos, disse ele. Eu bem... eu sorri aquele sorriso amarelo, percebendo no interior do meu ser que tudo o que eu sentira há dois anos não acabou; estava adormecido em minhas entranhas. Engulo o sentimento e concordo com a cabeça, claro e por que não?!

Afinal, eu esperava apenas deixar o material e pegá-lo posteriormente, pois você é um homem ocupado e minha intenção não é atrapalhar de forma alguma. Ele me olha nos olhos, desvia o olhar para minhas mãos lisas e sem aliança e olha de volta para o meu rosto e, mirando nos olhos, oferece-me água. Eu aceito de imediato, pelo menos terei algo que segurar; um copo nas mãos ajuda a dissimular o nervosismo da redescoberta. EU O AMO!, penso, e ele nem sabe que eu existo! Droga!

Ele volta com a água e diz:
- Que eu lembre, a sua é sem gás e natural Não é?

E, sem esperar resposta, me entrega o copo plástico, porém, ao breve contato do seus dedos roçando os meus, na entrega de um simples do copo com água, sinto um tremor, uma eletricidade percorrer o meu corpo vinda do choque de sua pele. E tudo vem à tona, como uma bomba atômica, me arrasando por dentro. Ele continua me olhando, ali em frente e em pé. Nem sei quanto tempo passou, um segundo, uma hora. Levanto os olhos para ele ouvindo meu estômago gritar, meu coração pulsar quase aparecendo pelos botões de minha blusa. Sem jeito, deixo cair um pouco de água em minha saia e levanto desajeitada, derrubando a cadeira e quase caindo, quando sinto suas mãos em forma de garras me enlaçar pela cintura e puxar o meu corpo.

-Você quase caiu, não podia deixar isto ocorrer.

Nossos corpos estão colados e meu seio toca o seu peito forte, meus braços caídos ao longo do corpo com a água esparramada pelo chão. Ele continua a enlaçar minha cintura, me fazendo sentir a fortaleza de suas coxas e o volume crescente entre elas. Fico sem jeito e procuro me afastar; ele então aumenta a pressão e suavemente tira uma mecha de cabelo que cai em meu rosto, me olha e, suavemente, alisa minha face, desenhando com os dedos o contorno do meu rosto como um pintor. Traça um traço na linha de minha testa, olhos, nariz, percorrendo minha boca entreaberta e surpresa, descendo pela lateral do pescoço e voltando a passear pelas minhas orelhas enquanto enfia os dedos em meus cabelos, me deixando zonza, embriagada, com o momento que eu tanto quis.
Continua >>>