... Aguardei o elevador e subi até a sala, agora vazia, pelo tardar da hora em busca de minha amiga. Ouço o barulho do silêncio sendo interrompido pelo abrir de uma porta. Encaro o homem que lá se encontra trajando paletó e gravata, vestido de acordo com o ambiente de um grande escritório. Levanto o olhar e percebo que ele cruzou o meu futuro naquele instante. Eu finjo ter calma, porém a solidão me apressa.

Outra vez, subo o olhar que encontra o dele - nesse segundo, vislumbro suas formas fortes sob o terno de cor cinza que cai com uma luva em seu corpo moreno combinando com o cabelo preto, liso e os olhos amendoados por sob as grossas sobrancelhas e cílios negros. Vislumbro seu ensaio de sorriso ao constatar minha surpresa em encontrar-me a sós ali com um completo estranho. Ele mostrou de relance seus dentes luminosos e logo notei que ele me notou e gostou do que viu: me viu dentro de uma blusa colada ao corpo e de uma saia vermelha, curta, leve e solta, adornada por um par esbelto de pernas longas e pés calçados por sandálias de salto alto que adoro e que uso quando pretendo me sentir nas alturas.

Olho as luzes dos seus olhos que não me deixam ver mais nada. Tudo ao redor se apaga; um frio percorre minha barriga e tremula todo o meu ser. Eu quero ter você para mim e nem o conheço. Há tempo não nos víamos, uma vida. Nunca esqueci seu abraço, nosso sentimento mais complicado e simplesmente a vontade se descobriu em mim. Eu já quero bater à sua porta completamente nua de pudores, já não escondo a pressa em possuir você, o mundo pára lá fora, não existe nada além de nós dois neste espaço celeste.

Sinto um doce tremor percorrer os meus pés subindo como um foguete até meus cabelos. Ao redor de nós, uma energia cósmica fulgurante lança raios sobre nossos corpos e, em volta da gente, uma aura de desejo se forma em lembranças que trago no peito e anseio realizar. Vôo ao seu encontro querendo sentir o vento em sua pele, me lanço a seu encalço, caminho graciosa em uma nuvem de sensualidade enquanto abro os botões da blusa que teima em pulsar por si só de encontro ao bater descompassado de meu coração contido em meu seio arfante. Deixo a blusa pelo chão expondo parte do meu ser. E eu pensei que sabia tudo... mas sobre você não sei nada .

Só quero que saiba que eu sei chegar e aí deixo cair a saia que sai leve do meu quadril que balanceia só para você. Sinto que não sei seu nome, mas já conheço o seu sorriso e leio o seu olhar; te desejo e está ruim para disfarçar - "entre nós dois não cabem mais segredos". Então atuo com uma cadela no cio: como louca, me lanço a você, cheiro o teu cheiro, entro no teu nariz, lambo os teus lábios, percorro tua orelha, teu pescoço. Mergulho em teus olhos sugando você para mim. Enquanto te deixo nu, liberto das roupas, não canso de esfregar meu corpo ao teu, resfolego nossos egos, escuto o seu arfar, sinto no teu peito o coração acelerar, sinto seu jeito surpreso, sentindo-se como objeto de desejo de uma mulher que não quer reviver o passado e que não quer deixar você passar como água fluindo por entre minha mãos, indo para outro lugar. Quero você aqui, agora e já.

Meu desejo não deseja se calar. Loucamente empurro você de encontro à porta entreaberta, a única comunicação para o mundo exterior. E de encontro a ela me uno a você, roço em ti. E, rosnando, ponho tuas mãos nas curvas do meus corpo, desço e exploro toda a tua extensão, ardorosa e suave como uma pluma. "Te reviro pelo avesso, tua cabeça enlouqueço". Com você não ajo como cordeiro. Ajo com fome canina, faço o que me dá vontade e quero ver você montar em mim, explodindo dentro do meu corpo quente, cavalgando meu espirito e vou te conquistando rapidamente sem que possa recuar. Sinto a forma do teu corpo moldada pelo meu interior, pulsamos como um só, uivamos de prazer, recebo o teu gozo que jorra como luzes acendendo minha pele, iluminando nosso clímax.

Continua >>>